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Análise

O Brasil que cresce devagar: por que o PIB decepciona mesmo com emprego em alta

Por Adriana Monteiro  |  3 ago. 2026

O mercado de trabalho brasileiro surpreendeu em 2026. A taxa de desemprego caiu para 6,8% no segundo trimestre — o menor nível em mais de uma década. O rendimento médio real subiu. O consumo das famílias cresceu. E, ainda assim, o PIB do primeiro semestre ficou em 1,4% — abaixo das projeções mais conservadoras.

Esse paradoxo tem nome: desequilíbrio estrutural. O Brasil cresceu, mas cresceu no setor errado. O consumo puxou, mas o investimento ficou para trás. E sem investimento, não há crescimento sustentável.

O problema do investimento

A taxa de investimento brasileira ficou em 17,2% do PIB no primeiro semestre. Para uma economia que quer crescer 3% ao ano de forma consistente, o mínimo necessário seria algo em torno de 22%. Esse gap não é novo, mas continua sem solução.

Os motivos são conhecidos: custo de capital elevado, insegurança jurídica, infraestrutura precária, burocracia. Cada um desses problemas tem solução técnica conhecida. O que falta é vontade política para implementá-las de forma consistente.

Adriana Monteiro
Colaborador de Capital Vivo